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REVISTA IATE

Nº3

AGOSTO DE 2009

DESTAQUES DA EDIÇÃO

A Favor da Vela

O velejador Allan Adler e o executivo Paulo Zottolo se unem para a segunda edição do Brasil1.

Alan Adler
Um dos maiores organizadores de eventos no Brasil construiu sólida carreira como velejador.

Paulo Zottolo
A bordo do Sapeca diz que está aprendendo a “sintonia fina” do esporte.

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A Favor da Vela

O velejador Allan Adler e o executivo Paulo Zottolo se unem para a segunda edição do Brasil1

Alan Adler

Há quem ame passar horas a admirá-las: se formam, perfeitas, dando forma à água, e explodem em espuma na areia, ecoando uma canção capaz de embalar nossos sonhos. Mas, atenção, essa é apenas uma visão poética sobre as ondas, esse importante fenômeno físico resultante da interação entre a atmosfera e o oceano. Pouca gente sabe, afinal, como se formam as ondas, mas não o que faz com que se apresentem em diferentes tamanhos e formatos.

Antes de se fortalecer como um dos maiores organizadores de eventos no Brasil, Alan Adler construiu uma sólida carreira como velejador. Campeão mundial da Classe Star em 1989, Alan Adler é considerado o pai do projeto que criou o Brasil 1, em 2003. Para ele, que atua na área de marketing esportivo há seis anos com a Vela Brasil, a semente do projeto foi o Match Race Brasil, que mostrou ser possível aproximar a mídia do patrocinador – em competição com essa, os barcos ficam todo o tempo à vista do público, o que aumenta a visibilidade do patrocinador. Além disso, os barcos são idênticos, o que torna a disputa mais emocionante. Quem chega primeiro é o vencedor – o que não acontece necessariamente nas regatas convencionais.

Com o apoio de alguns patrocinadores e da mídia – e, também do governo federal-, Alan convidou Torbe Grael para assumir o timão. O barco foi construído em Indaiatuba a partir de um desenho de Bruce Farr, um dos mais renomados projetistas do mundo. O resultado superou as expectativas e o Brasil 1 ficou com a terceira colocação – além de ter vencido uma perna.

Nessa nova empreitada, o objetivo é a vitória. “Na Europa, os patrocinador já perceberam que a plataforma vela é a que tem melhor relação custo/benefício. A Fórmula 1 é muito cara”, diz.

E o veleiro é um belo embaixador da marca por onde passa.

Paulo Zottolo

No Colégio Naval, em Angra dos Reis, onde entrou com 14 anos, o jovem Paulo Zotollo aprendeu a velejar em um escaler, e mais tarde em um snipe de madeira. Continuou os estudos na Escola Naval, no Rio de Janeiro, de onde saiu formado Guarda Marinha. Durante o curso, velejava de Soling pela Escola Naval.
Velejador nato? Segundo ele, a opção pela vela era uma forma de evitar as aulas de educação física e ainda “dar umas escapadas até o Iate Clube”. Mas garante que aprendeu muito com a vela. “Hoje há crianças eu saem de lancha por anos e anos e não sabem nada sobre o mar” diz.

Para ele, aprender sobre o vento, fazer nós, puxar e empurrar o barco, prender uma vela. Limpar o barco são ações formadoras do caráter e do espírito esportivo. “É a arte do mar, a arte da vida”.

Sua filha, de 14 anos, optou pelo futebol – ela joga pela escola, na Escandinávia. “Uma vez saímos de laser e o barco virou. Acho que ela se assustou”, lembra. Mas, coruja, acompanha a carreira do sobrinho velejador, Luis Otávio.

Paulo conheceu Paulo Adler na época em que, então presidente da Nívea, apoiou o Match Race e o primeiro Brasil 1. Engenheiro mecânico com larga experiência em administração de grandes empresas, Paulo diz que se “cansou de multinacionais”. Vai cuidar agora da Maior Entretenimento, que reúne oito empresas ligadas ao setor. Seu maior projeto éa segunda edição do Brasil 1.

Por enquanto, a bordo do Sapeca, HPE com o qual participou da RISW, Paulo diz que está aprendendo a “sintonia fina” do esporte, em meio a tantas feras.

 

 

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ESPAÇO EM EQUILÍBRIO

A Dolphin lança seu primeiro trawler catamarã, mostrando que
conceitos diferentes podem ser complementares

Por Silvia Zaclis

O desenvolvimento do catamarã – embarcação de dois cascos simétricos e paralelos ligados por uma ponte – é anterior ao descobrimento do Brasil. Os polinésios já percorriam o Oceano Pacífico a bordo de catamarãs no século 11. Foi no Havaí, em 1950, que se criou o primeiro catamarã moderno. Estabilidade é a principal característica dessas embarcações, que também oferecem segurança e baixo calado (o que facilita o acesso a locais mais rasos). Já o trawler é um barco resistente, de baixa velocidade, construído para enfrentar longos trajetos. “Trawlers são embarcações boas de mar”, define Junior Pimenta, da Dolphin Catamarans.

O casco semideslocante, inspirado no desenho de “barcos de serviço”, como traineiras e rebocadores (tradução literal de “trawler”), privilegia a segurança e a capacidade de enfrentar mar grosso e fortes ventos. As janelas são grandes, e o pé direito alto. Não é coincidência, portanto, que muitos velejadores acabem optando por trawlers quando resolvem trocar a vela pelo motor.